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sábado, 9 de junho de 2012

Degustação do primeiro capítulo


                 Imagem criada pela parceira e blogueira Jéssica Resende



    Bom pessoal, pensei bem e resolvi compartilhar com vocês o primeiro capítulo do livro, no momento em que os personagens principais Hilary e Ygor se conhecem. É só mesmo para despertar a curiosidade de vocês. Mas a coisa começar a ficar agitada mesma só mesmo a partir do quarto capítulo e isso vocês só poderão conferir ao adquirir o livro.
    Lembrando que vocês devem ler o prólogo primeiro que encontra nesse blog. Pelo que tenho observado, as pessoas não estão lendo o prólogo e é de total importância.
    Espero que gostem e deem uma nota sobre a minha forma de narrativa. Qualquer critica será muito bem vinda.
    Até mais e boa leitura!




CAPÍTULO 01










— Alô! — atendeu ao telefone, um rapaz robusto, moreno claro, olhos puxadinhos e pretos, cabelo com um corte de militar e também preto, debaixo de um edredom estampado por símbolos japoneses, vestido apenas de cueca boxe. Ele conversava sonolentamente, com os olhos ainda cerrados.  


— Ygor, filhinho! Já arrumou o seu quarto? Não quero saber de bagunças aí em casa, hein? — falou uma voz de mulher do outro lado da linha.


— Ô mãe, eu acordei agora mesmo...


— Você não levou mulher aí pra casa, não é?


— Não... Ô mãe, onde você tá, afinal?


— Estou aqui no Times Square[1] te esperando para a excursão como havíamos combinado. Você se esqueceu? Peraí... não acredito que você não se arrumou ainda Ygor?


— Nossa, mãe, eu esqueci! — sobressaltou o rapaz, pulando de sua cama — E agora, o que eu vou fazer? Será que dá tempo ainda?


— Seu irresponsável! Nunca poderia esperar isso de você...


— Calma mãe, dá tempo ainda.


— Se você se apressar, quem sabe, né?


— Então tchau, mãe - terminou o rapaz, metendo abruptamente o telefone no gancho.


— Droga! Eu ainda coloquei a porcaria desse celular pra despertar — resmungou Ygor, olhando furioso para um smartphone próximo ao telefone fixo que havia conversado com a sua mãe, sob a mesinha de cabeceira. — Eu devia jogar essa porcaria pela janela — ele pensou bem e sorrindo, disse — Ou melhor, não devia não. Tenho contatos valiosos nesse celular.


Ygor só tinha meia hora para se arrumar. Correu para o banheiro todo desequilibrado, derrubando tudo pela sua frente. Por lá escovou os dentes e molhou o rosto na água fria do lavatório. Voltando ao quarto, vestiu uma regata vermelha e uma calça jeans, cujo se esqueceu de fechar o zíper. E ainda com o guarda-roupa aberto, pegou a sua colônia favorita, espremendo alguns jatos pelo corpo. Ele aproveitou ainda e enfiou de qualquer jeito algumas peças de roupa dentro de uma mochila. Em seguida, agachou-se para pegar um par de tênis esportivo e calçou-os. Sem tempo nem para tomar café, ao passar pela cozinha, devorou uma banana que estava sobre a mesa numa fruteira, deixando a casca por ali mesmo. Comeria alguma coisa no caminho. Depois, saiu do apartamento e entrou no elevador a mil.


Para sua surpresa, viu que dentro do elevador estava a garota mais linda de seu colégio: Hilary Steven, filha de um dos empresários mais milionários de Nova York.


 Não era exagero dele, Hilary era uma bela jovem de cabelos lisos, compridos e negros; pele clara, como a de uma boneca de louça; olhos verdes; seios médios, combinando com seu corpo escultural de 1,68 metros. Isso, sem falar no seu jeito meigo de ser. Ele ficou todo sem jeito e ainda, quando viu que seu zíper estava aberto, todo envergonhado, fechou-o.


A garota tomou a iniciativa e, com um risinho no rosto, suavemente lhe cumprimentou:


— Oi!


— Oi, tudo bem? — respondeu ele, ainda muito sem-graça.


— Tudo. E você?


— To bem. Só um pouco apressado.


— Ah é? Você está indo viajar?


— Sim — balbuciou o rapaz, enquanto o visor numérico do elevador ia diminuindo a cada andar percorrido, sem que ninguém entrasse. — Vou com minha mãe para uma ilha aí, fazer uma excursão.


— Tá, mas que dia você volta? — perguntou a moça, inclinando ligeiramente para mais próximo do rapaz, apertando os olhos cintilantes.


— Eu não sei te dizer — respondeu ele, estranhando a pergunta de Hilary, embora seu coração se alegrasse — Quando minha mãe sai para essas excursões, ela costuma ficar por lá uns três, quatro dias no máximo.


— Sei. Que pena! É porque amanhã irei fazer uma festa em minha casa, para comemorar o meu aniversário de dezoito anos. Inclusive eu vim a este prédio, porque tenho uma amiga que mora no décimo segundo andar e vim convidá-la pessoalmente. Nós fizemos aula de balé juntas e há muito tempo não a via. Ela se chama Victória, conhece?


— Na verdade não — respondeu o rapaz coçando a cabeça.


— Então, eu pedi ao meu irmão para te dar o convite, já que vocês jogam futebol juntos e frequentemente se vêem. — E lendo nos olhos de Ygor ela concluiu — Ai... eu não acredito que ele não lhe entregou!


Ygor notou que Hilary ficara ligeiramente nervosa e pode perceber que isso a deixava mais bela.


— Não. Ele não me falou nada não.


— Eu mesma que devia ter te entregue o convite. Sabia que não podia contar com o imbecil do meu irmão. Mas se você voltar amanhã e quiser ir lá, a festa começará às dez da noite.


— Dez da noite... Dez da noite!


— O que foi? Você vai ficar aí? A porta do elevador já abriu.


— Ahn? Ah, é mesmo! – respondeu o rapaz, desconcertado.


Hilary tampou a boca com a mão, abafando o riso.


Saíram os dois em silêncio do prédio e sobre a calçada, onde passavam pessoas muito apressadas a ponto de atropelá-los, tratando de estarem no centro de Nova York, Hilary perguntou a meio ao som de buzinas de automóveis, sirenes da policia e vozerio dos pedestres:


— Você está de carro?


— Não. O meu está no conserto.


— É mesmo? O que houve com ele?


— Hã...Bem, na noite passada eu estava vindo de uma festa em um sítio. Daí, um cavalo atravessou na minha frente. Então, para não atropelá-lo, acabei batendo em uma árvore.


— Nossa! Você se machucou? — ao fazer a pergunta, uma brisa soprou os cabelos sedosos de Hilary para o seu rosto. Logo ela os desvencilhou para o dorso, prendendo algumas mechas pra trás das orelhas delicadas.


— Graças a Deus que não. Só que o carro amassou legal, viu.


— Ô meu Deus!... E você pretende chegar aonde com pressa e a pé? Se você quiser, o meu carro está estacionado logo ali, poderei te dar uma carona.


Ygor pensou muito em dar uma resposta instantânea. O convite era bastante tentador, porém em seu íntimo surgiu uma nova opção.


— Não, eu agradeço... mas acabei de mudar de ideia aqui.


— Como assim? 


— Não irei mais a excursão alguma com minha mãe. Já não estava muito a fim de ir, sabe? Passar o dia no meio do mato deve ser um tédio. Então, prefiro ir a essa sua festa que com certeza irá bombar.


— Êêêêêêêê!


Hilary começou a bater palminhas de felicidade. Mas ao se sentir corar com aquela atitude infantil parou de imediato. Logo, perguntou, retornando a postura de uma jovem madura.


— Mas e sua mãe, Ygor? Será que ela não irá ficar aborrecida com você, hein? Olha, eu não quero estragar um programa entre mãe e filho. Longe de mim.


— Não se preocupe. Vou ligar pra ela avisando que não vou mais. Ela irá compreender.


— Já que é assim, vou contar com a sua presença lá, ok?


— Pode deixar que vou ser o primeiro a chegar.


Ygor ficou parado alguns instantes, vendo a garota dos seus sonhos caminhar até seu carro que estava estacionado a poucos metros dali. Pensou e pensou, já imaginando a bronca que tomaria de sua mãe pelo telefone. Sentia-se um tanto arrependido por ter preferido ir a uma festa de última hora — mas que seria única, se tratando de ser o aniversário de dezoito anos da irmã de seu amigo que tanto balançava seus sentimentos — e não de ir àquela excursão planejada com muito carinho por sua mãe. Continuou pensando um pouco e finalmente disse para si mesmo, decidido:


— É, minha mãe que me perdoa, mas nunca que eu perco um festão desses!


Assim como ocorreu a Ygor naquela manhã, poderia ocorrer com qualquer pessoa em qualquer momento do dia. Isso se chama “escolhas”. A nossa vida gira em torno de escolhas, desde o momento em que acordamos até o momento que vamos dormir. É cada indivíduo quem decide que após ouvir o barulho irritante do despertador irá trabalhar ou não, quem decide se no café da manhã irá querer torrada com geléia ou com patê; leite ou suco. Quem decide também se no almoço irá querer algo mais leve, do tipo uma salada ou algo mais gorduroso como um bife volumoso e suculento acompanhado por batatas fritas. Ygor fez a escolha dele. Decidiu ir à festa de aniversário da irmã do seu melhor amigo, a quem tanto balançava o seu coração ao invés de ir ao encontro com sua mãe para um programa planejado há dias. Porém teria feito a escolha certa? Bom, isso só os dias poderiam dizer. Mas mal podia imaginar que aquela escolha mudaria pra sempre a sua vida.



[1] Famosa avenida de Nova York, sendo melhor definida como um grande largo, composto por vários cruzamentos e esquinas.